quarta-feira, 9 de novembro de 2011



Então a vida girou e eu chorei.
E eu podia não ter chorado, é verdade.

Alheia aos movimentos e às mudanças deste mundo que piso eu vou, sim poderia apenas ter-me curvado em serventia e sorrido secamente.
Mas a vida girou e eu chorei.
Chorei sobre a promessa que já não conseguia cumprir.

A mesma promessa que cumpri durante tempo demais, sem me importar com as raízes de mágoa que penetravam cada vez mais fundo em mim.
Primeiro a solidão. Depois a dor. Por fim, a vergonha.

Todas elas vieram fazer-me companhia…

Tapei os olhos com as mãos para que não vissem que eu chorava.

Não tardou, no entanto, para que as lágrimas escorressem pelas minhas mãos e manchassem o chão onde caíam.
Chorei sobre a minha rectidão. Sobre a promessa mais importante que fiz na vida inteira.

A culpa foi de quem me criou com todas as fraquezas de um ser humano, de quem me elevou a divindade e me tornou um monstro.
A vida girou e eu chorei.
Antes que pudesse evitá-lo, as minhas lágrimas cristalinas ganharam nuances escarlates. A solidão perfurou-me o coração, a dor rasgou-me a alma, a vergonha entranhou-se na pele. Morri.
Quando renasci, os meus olhos viam claramente o que antes parecera tão incerto.

O céu, quase azul, estava carregado de nuvens.

O arco-íris era na verdade uma prisão.

O príncipe encantado era apenas uma sombra… nada daquilo era real.
E, então, a vida girou e eu continuei a chorar.
Era tempo de quebrar uma promessa… era tempo de prometer a mim mesma que nunca mais tentaria sair do carrossel para caminhar sobre um arco-íris de pedra.
A vida girou e eu chorei.

A promessa tombou.

Quebrou como cristal no chão rugoso.

As grilhetas caíram.
A vida girou e eu estou livre…
Pra reviver... e viver
e morrer
e viver
e reviver
e te ver...

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